quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Pedagio urbano - Sou a favor.

Alexandre de Avilla Gomide

Os congestionamentos de trânsito e as más condições do transporte público são problemas reais das grandes cidades brasileiras. Pesquisas do Ipea já avaliaram os gastos provocados pelos engarrafamentos. No que se refere apenas aos custos do tempo perdido e da poluição causados, sobretudo pelos automóveis, os valores atualizados pela Associação Nacional dos Transportes Públicos para 2003 atingiram a cifra de 10 bilhões de reais por ano nas áreas urbanas.As pesquisas mostraram também que os engarrafamentos aumentam o número de veículos necessários para realizar os serviços de ônibus urbano, aumentando as tarifas.

"A cada viaduto ou via nova inaugurada, surgem mais carros e congestionamento, pois essas obras têm o efeito de incentivar as pessoas a usar mais os automóveis"

Ao decidir usar seu automóvel,o motorista leva em consideração apenas o seu custo adicional com aquela viagem (o gasto com combustível,por exemplo).Ele não leva em conta que a sua decisão causará custos também para outras pessoas: como o congestionamento tem relação direta com o número de veículos trafegando numa via,a entrada de mais um automóvel contribuirá para o aumento do tempo perdido das demais pessoas que estão circulando naquela rua ou avenida.

Cingapura foi a primeira a adotar o “pedágio urbano”,ou a cobrança pelo uso das vias congestionadas, como forma de reduzir os engarrafamentos, em 1975.Tal política parte do princípio de que o causador deve assumir a totalidade dos custos gerados pela sua opção, e não reparti-los injustamente com a sociedade.Os resultados foram bem-sucedidos,diminuindo expressivamente o volume de tráfego.Mas foi o sucesso da experiência londrina que definitivamente atraiu a atenção dos gestores públicos.Desde fevereiro de 2003 o motorista que entrar com o seu automóvel na região central de Londres nos dias úteis, das 7 às 18 horas,paga uma taxa.A cobrança é feita eletronicamente. Segundo a Transport for London, nos primeiros anos de implantação a medida reduziu o volume de tráfego em 20% e foi gerada uma receita líquida de mais de 60 milhões de libras por ano,investida no transporte público - melhorando os serviços da capital.Destacam-se também os benefícios para o meio ambiente urbano (o ar está mais limpo e as ruas agradáveis para os pedestres). O número de bicicletas em circulação subiu e o tempo médio das viagens por ônibus foi reduzido. A medida, devido a seu sucesso, foi um dos carros-chefe da campanha vitoriosa de reeleição do prefeito da capital britânica em 2004.Em Estocolmo,o governo local decidiu experimentar a medida antes de implantá-la definitivamente. Durante o primeiro semestre de 2006, quem desejasse adentrar no centro da cidade nos dias de semana,entre 6h30 e 18h30,pagava uma taxa.No início,o anúncio da medida recebeu o repúdio da população,mas o sucesso resultou na sua aprovação no referendo realizado em setembro de 2006. A medida foi reintroduzida permanentemente no início de 2007.

No Brasil, a cidade de São Paulo adota o rodízio de veículos.De acordo com o final da placa e o dia da semana, automóveis e caminhões não podem circular nas ruas e avenidas do centro expandido da cidade das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas.No entanto, avalia-se que tal medida já tenha se esgotado devido à compra pelas pessoas de um segundo carro com final de placa diferente. O pedágio urbano,por sua vez, é considerado uma medida mais eficiente,pois, em vez de canalizar os recursos das pessoas para a compra de outro carro, ele gera receita para se investir no transporte público.

O senso comum diz que para resolver os congestionamentos nas grandes cidades basta aumentar a capacidade das vias.A realidade,todavia,tem refutado tal prescrição.A cada viaduto ou via nova inaugurada, surgem mais carros, pois essas obras têm o efeito de incentivar as pessoas a usar mais os automóveis.

O pedágio urbano é uma forma de melhorar o trânsito e o transporte público.A simples cópia de práticas adotadas em outros países pode apresentar maus resultados no Brasil, devido aos distintos contextos. Porém, uma coisa é certa: se nada for feito, os congestionamentos e seus custos socioeconômicos e ambientais só aumentarão ao longo do tempo. Por que não experimentar?

Alexandre de Ávila Gomide é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Novas Tendencias da Urbanizacao brasileira

Projeto de ensino de geografia
- Demétrio Magnoli e Regina Araújo

Um mito corrente diz que assistimos, atualmente, a uma "explosão da periferia" nas metrópoles brasileiras. Mas a "explosão da periferia" já ocorreu, há tempo. A urbanista Yvonne Mautner explica:

Na década de 1920, mais precisamente em 1927, dois anos após a instalação da primeira montadora de automóveis no país (a General Motors), é negada a aprovação do Plano Integrado de Transportes da Light.
O "Polvo" perde, portanto, para os grupos de interesse ligados ao transporte rodoviário: marco inicial da próxima passagem dos trilhos ao pneu, que iria ser ao longo dos anos (...) um dos fatores a propiciar um intenso processo de periferização em São Paulo.
(...) A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, a extensão do assalariamento, o acesso por ônibus à terra distante e barata da periferia, a industrialização dos materiais básicos de construção, somados à crise do aluguel e às frágeis políticas habitacionais do Estado, tornaram o trinômio loteamento popular/casa própria/autoconstrução a forma predominante de assentamento residencial da classe trabalhadora. ("A periferia como fronteira de expansão do capital", O processo de urbanização no Brasil Edusp, 1999, p. 247-248).

As maiores taxas de crescimento demográfico das grandes cidades registraram-se entre as décadas de 1940 e 1970. Desde 1980, ocorre desaceleração do crescimento populacional dos municípios das principais cidades, em todas as regiões.

O processo brasileiro de urbanização apoiou-se essencialmente no êxodo rural. Mas os mecanismos do êxodo rural continuam escondidos sob uma densa camada de mitos. Na matéria "A explosão da periferia", Veja confunde tudo ao afirmar que "o campo entrou em colapso por excesso de gente e falta de oportunidades". Jamais houve "excesso de gente" no meio rural brasileiro, caracterizado por densidades demográficas muito baixas. Mesmo assim, formou-se uma superpopulação relativa, que não é um conceito demográfico, mas econômico. A modernização técnica da agropecuária, associada à persistência da concentração fundiária, gerou excedentes de força de trabalho, que foram repelidos para as cidades.

O campo não "entrou em colapso", pois produz alimentos para as cidades, matérias-primas para a indústria, commodities para a exportação e lucros para os proprietários de terras, empresários rurais, além de consumir máquinas, insumos e financiamentos bancários. O que "entrou em colapso" foram os fundamentos econômicos da sobrevivência e reprodução dos agricultores familiares e trabalhadores rurais.

A incapacidade de compreender os mecanismos do êxodo rural conduz a outro mito: a idéia de que os migrantes do campo "se mudaram em busca dos confortos e das oportunidades que imaginavam desfrutar nas grandes cidades", como se tivessem errado, acreditando numa miragem. Mas os migrantes acertaram. Diante das dramáticas opções existentes, tomaram a decisão econômica racional.

Utilizando a renda familiar per capita e os preços regionais dos bens de consumo essenciais, traçou-se uma linha nacional de pobreza. Em 1997, 34% dos brasileiros encontravam-se abaixo da linha de pobreza. Mas essa é uma média nacional. As diferenças entre o meio urbano e o rural são significativas: cerca de 42% da população rural estava abaixo dessa linha, contra 30% da população urbana. A taxa de analfabetismo é de 10% no meio urbano, contra 30% no meio rural. O analfabetismo funcional atinge cerca de 24% da população urbana, contra 56% da população rural. A taxa de escolarização dos jovens de 18 e 19 anos alcança 52% no meio urbano, mas apenas 37% no meio rural. As periferias urbanas configuraram-se pelo afluxo de trabalhadores expulsos do campo que buscavam assegurar a sobrevivência familiar e um futuro melhor para seus filhos.

O processo de urbanização brasileiro foi essencialmente concentrador. Em 1950, o país tinha três cidades de grande porte: apenas o Rio de Janeiro, São Paulo e Recife abrigavam mais de 500 mil habitantes. Em 1998, nada menos que 26 aglomerações urbanas já tinham ultrapassado a marca de meio milhão de habitantes. Em 1950, existiam nove cidades de porte médio, no intervalo de 100 mil a 500 mil habitantes; em 1998, já eram mais de 150.

Há algum tempo, registra-se atenuação do crescimento das maiores cidades. O crescimento vegetativo diminuiu, o ritmo das migrações interregionais reduziu-se sensivelmente e o padrão do êxodo rural modificou-se. O poder de atração das cidades médias, que desempenham funções de centros submetropolitanos ou capitais regionais, tornou-se maior que o das metrópoles. Essa nova tendência continua a gerar metropolização: as cidades médias de hoje serão metrópoles no futuro próximo.

Contudo, a tendência de expansão acelerada das cidades médias ilumina um novo desafio, que está ligado ao planejamento regional. Em diversas áreas do país, configuram-se "corredores" de urbanização nos quais intensificam-se os fenômenos de conurbação e aprofundam-se as interações entre as cidades.

No estado de São Paulo, sobre os eixos das rodovias Bandeirantes, Anhanguera e Wahington Luiz delineou-se um "corredor" que irradia-se da metrópole paulista para Jundiaí, Campinas, Americana, Limeira, Rio Claro, São Carlos, Araraquara e Ribeirão Preto. Outros "corredores", menos caracterizados, começam a se delinear em Minas Gerais, irradiando-se de Belo Horizonte para o Vale do Aço, no norte do Paraná, entre Londrina e Maringá, no Rio Grande do Sul, entre Porto Alegre e Caxias do Sul, em Santa Catarina, no Vale do Itajaí.

Os fenômenos regionais de conurbação restringiam-se, antes, às nove regiões metropolitanas originais. A configuração de "corredores" de urbanização alicerçados sobre cidades médias dinamiza processos de valorização imobiliária, ligados à concorrência entre diferentes usos do solo. Os usos industriais, residenciais e de lazer competem entre si e tendem a expulsar os usos agrícolas tradicionais. Os mananciais que fornecem água para a população das dezenas de cidades sofrem os efeitos das descargas industriais e da poluição gerada por novos loteamentos. Os eixos regionais de transportes são incorporadas às manchas urbanas, comportando-se como vias de tráfego local.

As prefeituras, isoladamente, não têm jurisdição para intervir com eficácia sobre problemas que ultrapassam os limites políticos municipais. A "urbanização total" solicita um esforço extraordinário de planejamento regional e gestão urbana integrada.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Informações sobre o ProUni

Os estudantes de escolas particulares sem bolsa integral não poderão participar.

Retirado do site
http://prouni-inscricao.mec.gov.br/prouni/inf_est.shtm

Para auxiliar milhares de estudantes de baixa renda a construir o seu futuro, ter uma profissão, um bom emprego e contribuir para o desenvolvimento do Brasil, o Ministério da Educação criou o Programa Universidade para Todos, o ProUni. No seu primeiro processo seletivo foram disponibilizadas 112 mil bolsas integrais e parciais em 1.142 instituições particulares de ensino superior em todo o Brasil. Nos próximos quatro anos, o programa possibilitará a oferta de 400 mil novas bolsas de estudos. Perguntas freqüentes sobre o Programa O que é o ProUni?É um programa do Ministério da Educação, criado pelo Governo Federal em 2004, que oferece bolsas de estudos em instituições de educação superior privadas, em cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, a estudantes brasileiros de baixa renda sem diploma de nível superior. O que é uma bolsa de estudo?É um benefício concedido ao estudante, na forma de desconto parcial ou integral sobre os valores cobrados pelas instituições de ensino privadas. Qual é a relação entre o ProUni e o ENEM? Só pode se candidatar ao ProUni, referente ao primeiro semestre de 2008, o estudante que tiver participado do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2007 e obtido a nota mínima de 45 pontos (média aritmética entre as provas de redação e conhecimentos gerais), estabelecida pelo Ministério da Educação. Não são consideradas as notas obtidas nos ENEMs anteriores. Os resultados do ENEM são usados como critério para a distribuição das bolsas de estudos, isto é, as bolsas são distribuídas conforme as notas obtidas pelos estudantes no ENEM, nos moldes de um vestibular. Assim, os estudantes que alcançarem as melhores notas no exame terão maiores chances de escolher o curso e a instituição em que estudarão. Basta fazer o ENEM para se candidatar a uma bolsa?Não mas fazer o ENEM referente ao ano de 2007, é o primeiro passo. Além de obter a nota mínima de 45 pontos nesse exame (média aritmética entre as provas de redação e conhecimentos gerais), estabelecida pelo MEC, é preciso que o estudante tenha renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos e satisfaça uma das condições abaixo: • ter cursado o ensino médio completo em escola pública, ou• ter cursado o ensino médio completo em escola privada com bolsa integral, ou• ter cursado todo o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista integral da respectiva instituição, ou • ser portador de deficiência, ou• ser professor da rede pública de ensino básico, em efetivo exercício, integrando o quadro permanente da instituição e concorrendo a vagas em cursos de licenciatura, normal superior ou pedagogia. Neste caso, a renda familiar por pessoa não é considerada. É preciso fazer o vestibular para concorrer a uma bolsa do ProUni?Não, o candidato a bolsa do ProUni não precisa prestar o vestibular nem estar matriculado na instituição em que pretende se inscrever. Entretanto, é facultado às instituições submeterem os candidatos pré-selecionados a um processo seletivo específico e isento de cobrança de taxa. O ProUni reserva cotas para afrodescendentes, indígenas e portadores de deficiência?Sim, o ProUni reserva bolsas aos cidadãos portadores de deficiência e aos autodeclarados pretos, pardos ou índios. O percentual de bolsas destinadas aos cotistas é igual àquele de cidadãos pretos, pardos e índios, por Unidade da Federação, segundo o último censo do IBGE. Vale lembrar que o candidato cotista também deve se enquadrar nos demais critérios de seleção do programa. Quais são os tipos de bolsa oferecidos?• Bolsa integral: para estudantes que possuam renda familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio (R$ 570,00).• Bolsa parcial: 50% - para estudantes que possuam renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos (R$ 1.140,00).25% - para estudantes que possuam renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos (R$ 1.140,00), concedidas somente para cursos com mensalidade de até R$ 200,00.Como calcular a renda familiar por pessoa? A renda familiar por pessoa é calculada somando-se a renda bruta dos componentes do grupo familiar e dividindo-se pelo número de pessoas que formam esse grupo familiar. Se o resultado for até um salário mínimo e meio (R$ 570,00), o estudante poderá concorrer a uma bolsa integral. Se o resultado for maior que um salário mínimo e meio (R$ 570,00) e menor ou igual a três salários mínimos (R$ 1.140,00), o estudante poderá concorrer a uma bolsa parcial de 50% ou 25%. Entende-se como grupo familiar, além do próprio candidato, o conjunto de pessoas residindo na mesma moradia que o candidato que, cumulativamente, usufruam da renda bruta mensal familiar, e sejam relacionadas ao candidato pelos seguintes graus de parentesco: pai, padrasto, mãe, madrasta, cônjuge, companheiro(a), filho(a), enteado(a), irmão(ã),avô(ó). E se o estudante contemplado com uma bolsa de 50% não puder pagar a outra metade da mensalidade?Nesses casos, o MEC possibilita ao bolsista parcial de 50% financiar 25% do valor total da mensalidade por meio do FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, desde que a instituição para a qual o candidato foi selecionado ou já esteja vinculado, tenha firmado Termo de Adesão ao FIES. Dessa forma, o aluno pagará apenas 25% do valor total da mensalidade enquanto estiver estudando e, depois de formado, iniciará o pagamento do valor financiado. Exemplo: se a mensalidade for de R$ 400,00, a bolsa parcial cobrirá a metade (R$ 200,00) e o FIES financiará 25% do total (R$ 100,00). O aluno pagará, portanto, apenas R$ 100,00 por mês à instituição, durante o curso.Para saber mais sobre o FIES, consulte a página eletrônica http://www3.caixa.gov.br/fies/ ou ligue 0800.574.0101. É possível escolher qualquer curso em qualquer instituição? Sim, desde que a instituição escolhida seja participante do ProUni. Ao fazer a inscrição o candidato poderá assinalar até sete opções de acordo com suas prioridades, que podem ser em instituições ou cursos diferentes. No entanto, há cursos que exigem requisitos específicos para matrícula, tais como Ciências Aeronáuticas ou Música. Em alguns cursos de Ciências Aeronáuticas, por exemplo, o estudante deve ter, dentre outras exigências, licença de piloto privado e uma determinada quantidade de horas de vôo para poder se matricular. Assim, é necessário muita atenção ao efetuar as opções de curso no momento da inscrição no ProUni, pois caso a matrícula não seja possível em função de requisitos desse tipo o candidato perderá o direito à bolsa. Quais são as instituições que participam do Programa?A lista completa das instituições participantes do ProUni estará disponível aos candidatos, durante o próximo processo seletivo, na página eletrônica do programa. Como fazer a inscrição no ProUni?O cronograma para as inscrições do processo de seleção do ProUni, referente ao primeiro semestre de 2008, será disponibilizado oportunamente. As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet. Ao efetuar sua inscrição, o candidato escolhe as opções de instituições de ensino superior, cursos e turnos, dentre as disponíveis conforme sua renda familiar por pessoa e seu perfil sócio-econômico. É importante ressaltar que essas opções poderão ser alteradas a qualquer tempo, dentro do período de inscrições do programa. Assim, o candidato poderá efetuar sua inscrição e posteriormente acessar novamente a ficha de inscrição podendo fazer alterações, caso desejar. A ficha de inscrição válida para efeito da pré-seleção é aquela com as últimas alterações efetuadas pelo estudante. Como fazer a inscrição se o estudante não possuir computador?Todas as instituições participantes do ProUni devem oferecer acesso gratuito à internet para os estudantes que desejarem se inscrever. Além disso, o candidato conta com uma Rede de Parceiros, com endereços disponibilizados na página eletrônica do programa e por meio do 0800.616161, como alternativa para facilitar o processo de inscrição. Qual é o período de inscrições?O cronograma das inscrições para o processo seletivo do ProUni, referente ao primeiro semestre de 2008, será disponibilizado oportunamente. Os candidatos devem se informar consultando o sítio do do programa ou, pelo telefone 0800 616161, consultando o serviço Fala, Brasil e pelas próprias instituições participantes do ProUni. Como é feita a pré-seleção dos candidatos?São pré-selecionados em primeira ou segunda chamadas, os estudantes que obtiveram as melhores notas no ENEM. Ao fazer sua inscrição, o candidato escolhe até sete opções de curso, em instituições diferentes ou na mesma instituição. O estudante é pré-selecionado para sua opção de maior prioridade, onde ainda existam vagas disponíveis. Portanto, o estudante que tiver obtido o melhor resultado no ENEM é o primeiro a ser pré-selecionado em sua primeira opção, e assim por diante. Dessa maneira, o ProUni reconhece e valoriza o mérito dos melhores estudantes.Todo o sistema de seleção do ProUni é informatizado e impessoal, o que confere transparência ao processo.Como saber os resultados da pré-seleção do ProUni?Os candidatos terão acesso aos resultados do processo seletivo do ProUni através dos seguintes canais: pela internet, consultando o sítio do programa ou, pelo telefone 0800 616161, consultando o serviço Fala, Brasil e pelas próprias instituições participantes do ProUni. É de inteira responsabilidade dos candidatos pré-selecionados observar o cumprimento dos prazos estabelecidos na legislação que regulamente o processo seletivo do ProUni, bem como o acompanhamento de eventuais alterações. Como proceder após ter sido pré-selecionado em primeira ou em segunda chamada?O candidato deve procurar a instituição para a qual foi pré-selecionado com os documentos que comprovem as informações prestadas na ficha de inscrição. É de responsabilidade do estudante o comparecimento no período estabelecido pelo MEC. A perda deste prazo ou a não comprovação das informações implicarão, automaticamente, reprovação. Algumas instituições submetem os candidatos pré-selecionados a um processo seletivo próprio, que pode ser diferente do vestibular. Essa informação está disponível ao candidato, no momento da inscrição. Nesse caso, a instituição deverá comunicar o candidato pré-selecionado, observado o prazo mínimo de 48 horas após seu comparecimento à instituição, e informá-lo quanto à natureza e aos critérios de aprovação. Não poderá ser cobrada qualquer taxa por esse processo próprio de seleção. Se aprovado nessas etapas ou se a instituição para a qual foi pré-selecionado não exigir seleção própria, chegou a hora de fazer a matrícula e começar a estudar! Os candidatos que não foram pré-selecionados na primeira chamada ainda têm chances de concorrer a uma bolsa ?Sim, poderão ser convocados novos candidatos em função da reprovação daqueles inicialmente pré-selecionados em primeira chamada.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Vídeo de Jovem Menina na Eco-92

Para refletir sobre o que fazemos com e pelo nosso planeta.
video

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Segregacao socioespacial

Texto 1

(Do livro: O que é cidade – Raquel Rolnik – Ed. Brasiliense – 1988 – pág. 40-43)

Nas grandes Cidades hoje, é fácil identificar territórios diferenciados: ali é o bairro das mansões e palacetes, acolá o centro de negócios, adiante o bairro boêmio onde rola a vida noturna, mais à frente o distrito industrial, ou ainda o bairro proletário. Assim quando alguém, referindo-se ao Rio de Janeiro fala em Zona Sul Ou Baixada Fluminense, sabemos que se trata de dois Rios de Janeiro bastante diferentes; assim como pensando em Brasília lembramos do plano-piloto, das mansões do lago ou das cidades satélites. Podemos dizer que hoje nossas cidades têm sua zona sul e sua baixada, sua "zona", sua Wall Street e seu ABC. É corno se a cidade fosse um imenso quebra-cabeças, feito de peças diferenciadas, onde cada qual conhece seu lugar e se sente estrangeiro nos demais. É a este movimento de separação das classes sociais e funções no espaço urbano que os estudiosos da cidade chamam de segregação espacial.

Entre as torres envidraçadas e gestos tensos dos homens de terno e pasta de executivo, meninas pulando corda e jogando amarelinha estariam totalmente deslocadas; assim como não há travesti que faca michê na porta do Citibank às 3 horas da tarde. Não se vê vitrinas de mármore, aço escovado e neon na periferia, nem lama ou falta d'água no Leblon (Rio), Savassi (Belo Horizonte) ou Boa Viagem (Recife). É como se a cidade fosse demarcada por cercas, fronteiras imaginárias, que definem o lugar de cada coisa e de cada um dos moradores.

As meninas pulando corda e jogando amarelinha, fechadas no pátio da escola, se separam da rua por uma muralha de verdade, alta, inexpugnável; já a fronteira entre um bairro popular e um bairro chique pode ser uma rua, uma ponte, ou simplesmente não ser nada muito aparente, mas somente uma imagem, um ponto, uma esquina. Em algumas cidades, como em Joanesburgo, na África do Sul, placas sinalizam a segregação, indicando os territórios permitidos ou proibidos para os negros. As áreas restritas são protegidas por forças policiais que podem prender quem por ali circular sem autorização. Neste caso, a segregação é descarada e violenta.

A segregação é manifesta também no caso dos condomínios fechados – muros de verdade, além de controles eletrônicos zelam pela segurança dos moradores, o que significa o controle minucioso das trocas daquele lugar com O exterior. Além de um recorte de classe, raça ou faixa etária, a segregação também se expressa através da separação dos locais de trabalho em relação aos locais de moradia. A cena clássica cotidiana das grandes massas se deslocando nos transportes coletivos superlotados ou no trânsito engarrafado são a expressão mais acabada desta separação - diariamente ternos que percorrer grandes distâncias para ir trabalhar ou estudar. Com isto, bairros inteiros das cidades ficam completamente desertos de dia, os bairros-dormitórios, assim como algumas regiões comerciais e bancárias parecem cenários ou cidades-fantasmas para quem a percorre à noite.

Com isto, bairros inteiros das cidades ficam completamente desertos de dia, os bairros-dormitórios, assim como algumas regiões comerciais e bancárias parecem cenários ou cidades-fantasmas para quem as percorre à noite. Finalmente, além dos territórios específicos e separados para cada grupo social, além da separação das funções morar e trabalhar, a segregação é patente na visibilidade da desigualdade de tratamento por parte das administrações locais. Existem por exemplo, setores da cidade onde o lixo é recolhido duas ou mais vezes por dia; outros, uma vez por semana; outros, ainda, onde o lixo, ao invés de recolhido, é despejado. As imensas periferias sem água, luz ou esgoto são evidências claras desta política discriminatória por parte do poder público, um dos fortes elementos produtores da segregação.


Texto 2:

(Extraído do livro: O Desafio Metropolitano – Marcelo Lopes de Souza – Bertrand Brasil – 2005 – 365p.).

“(…) o que se vau gerando e uma espacialidade caracterizada por serios conflitos e tensões, pelo desafio do Estado e ao controle territorial estatal representado por grupos criminosos e pelas estratégias defensivas utilizadas por parcelas das camadas medias e altas da sociedade. A cidade que daí emerge e, ao mesmo tempo, uma unidade espacial interna e externamente integrada sob o ângulo econômico (inclusive no que tange as atividades ilegais, viabilizadas mediante a constituição, o adensamento e a expansão de redes ilícitas articulando numerosos pontos) e um espaço local cada vez mais fraturado sociopoliticamente e menos vivenciado como um ambiente comum de socialização. Pode-se arriscar mesmo a tese de que o que esta em jogo (...) e a própria cidade em seu sentido usual (ou seja, como uma unidade na diversidade, onde as tradições de classe, as tensões de fundo étnico e a segregação residencial daí decorrente não eliminam a percepção de cidade como uma entidade geográfica coerente)”.

Apos a leitura dos textos, elabore um resumo aplicando os conceitos que foram discutidos em sala ao conteudo apresentado.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Entendendo os Mapas II

O mapa é um instrumento de comunicação e de conhecimento. Ele possui uma série de informações sobre a área mapeada, é preciso, portanto, saber “ler”, e tirar conclusões a partir destas informações.

Um mapa físico ou hipsométrico (que retrata altitudes) trata dos aspectos físicos de determinada área. Não se trata de um cartograma, pois possui indicador de direção, paralelos, meridianos e escala.

Um mapa temático é aquele que trata de algum tema específico. Normalmente trata-se de cartogramas, pois muitas vezes, não contém linhas imaginárias, nem mesmo escalas, afinal seu objetivo não é demonstrar distâncias, e sim a distribuição geográfica de determinado fenômeno. No entanto, muitas vezes, a correlação de mapas físicos e temáticos são muito úteis para a representação de alguns fenômenos.

Assim como todo conjunto de informações, mapa é sempre seletivo, pois como é impossível demonstrar de uma só vez todos os fenômenos existentes em uma área, determinados fatos são escolhidos, em detrimento de inúmeros outros, de acordo com o objetivo a ser alcançado.

Uma idéia usual e equivocada é aquela segundo a qual os mapas devem ter o norte na parte superior do papel e que a Europa deve sempre estar no centro do mapa. No entanto, já que o mapa é a representação de uma determinada área, como se ela estivesse sendo vista de cima para baixo, qualquer mapa pode ter qualquer ponto de orientação na parte de cima da folha.

A tradição de se colocar a Europa na parte central na maioria dos mapas da superfície terrestre também se deve ao europeu, que foram os primeiro a confeccionar esse tipo de mapa e colocaram seu continente na parte central. Alguns países como a China e os Estados Unidos já modificaram essa tradição, colocando seus países na parte central. No entanto, os mapas não são melhores ou piores de acordo com seu centro. O importante é estar atento a todas as visões, para assim ter uma visão mais real da superfície terrestre.

Como vimos, Arno Peters (contemporâneo às idéias de subdesenvolvimento), resgatou a projeção de James Gall, porque defendia que a projeção de Mercator privilegiava os países desenvolvidos, em detrimento dos subdesenvolvidos, ganhando assim, grande aceitação de alguns intelectuais da época, porém essa projeção foi perdendo força devido às novas configurações mundiais. No entanto, atualmente, não se acredita que a projeção Gall-Peters valorize de fato os países subdesenvolvidos, já que muitos deles se encontram no hemisfério norte, enquanto que muitos países desenvolvidos se encontram no hemisfério sul. Além disso, a imensa maioria da população mundial localiza-se no hemisfério norte, onde existe uma maior quantidade de terras emersas. Esse fato justifica o procedimento que existia e existe em alguns mapas, que enfatizam muito mais o hemisfério norte ao “cortarem” parte no hemisfério sul, a Antártida, sobre a qual, em muitos casos, os dados são irrelevantes.

Existe também o uso enganador, ou propangandístico dos mapas, no qual são privilegiadas algumas informações em detrimento de outras. Muitas vezes, esses desenhos, que têm a pretensão de mapas são propositalmente deformados para proporcionar uma falsa idéia da realidade para o leitor, como é o caso de muitos mapas utilizados em anúncios de imóveis.

Percebemos então, que os mapas, assim como qualquer outro texto, são instrumentos úteis, mas, eventualmente podem conter informações falsas ou tendenciosas, além de ter importantes informações ocultadas. Isso ocorre de acordo com o objetivo pretendido do autor do mapa.

Entendendo os Mapas I

Os mapas são um instrumento essencial aos estudos geográficos. Servem para visualizar e explicar a localização dos fenômenos na superfície terrestre. Uma das primeiras preocupações da geografia é a localização dos fenômenos e atividades.

Um mapa contém vários elementos. Os principais deles são o título, os símbolos ou convenções, a escala, o indicador de direção e as linhas (paralelos e meridianos).

O título é o nome do mapa, normalmente aquilo que ele retrata.

Os símbolos são as convenções cartográficas, ou seja, desenhos especiais que representam elementos do mapa.

A legenda é a explicação a respeito do significado de cada símbolo que existe no mapa.

A escala é a proporção, ou relação numérica entre o mapa e a realidade que ele representa. Existem as escalas gráfica e numérica e uma boa parte dos mapas possui ambas.

Uma escala numérica (ou fracionária) é aquela que mostra a relação entre dois números. A escala gráfica é representada por meio de um desenho ou um gráfico que mostra mais diretamente as distâncias no mapa.

Dizemos que uma escala é grande quando o seu denominador é um número considerado pequeno para a cartografia e que uma escala é pequena quando o seu denominador é um número considerado grande. Vemos, portanto que o tamanho da escala é inversamente proporcional ao tamanho do denominador, isso porque quanto maior for o denominador, menores serão os detalhes da área mapeada, e vice-versa.

O indicador de direção, que existe em quase todos os mapas, aponta para o norte. Dessa forma, ele permite que se encontrem todos os demais pontos cardeais e também os outros pontos de orientação. É muito comum esse indicador de direção apontar para o alto do papel no qual se encontra o mapa, mas não necessariamente isso deve sempre ocorrer. Muitas vezes, ele pode estar na parte de baixo do papel, à esquerda etc.

As linhas que, em geral, existem nos mapas são os paralelos e os meridianos, linhas imaginárias que permitem localizar com precisão qualquer ponto na superfície terrestre a partir de sua latitude e longitude. Os paralelos são linhas (ou melhor, círculos) que cortam o globo terrestre paralelamente ao equador. Os meridianos são linhas menores (meios círculos) que cortam a Terra no sentido inverso aos paralelos. Eles vão do Pólo Norte ao Pólo Sul.

A partir dos paralelos e dos meridianos, estabeleceram-se as coordenadas geográficas, que são a latitude e a longitude. A latitude é a distância medida em graus, que vai de um ponto qualquer até o equador. A longitude é a distância, também medida em graus, que vai de um ponto qualquer até o meridiano de Greenwich.

A latitude e a longitude exatas de um ponto nos permitem, com precisão, determinar sua localização horizontal na superfície terrestre.

Existe também a localização vertical desse ponto, que é a sua altitude. A altitude significa a altura de um ponto em relação ao nível médio do mar. Também a profundidade faz parte da dimensão vertical de um lugar, mas é normalmente utilizada em estudos de alguns recursos naturais (água subterrânea, minérios etc.).

Para elaborar um mapa é necessário ter informações sobre a área a ser mapeada e os fenômenos a representar. Essas informações podem ser obtidas através de levantamentos, pesquisas de campo, consultas de dados estatísticos e, principalmente, através do sensoriamento remoto.

Existem vários tipos de mapas.Temos como exemplo:

1 - As plantas (mapas com escala muito grande);

2 – As cartas (mapas com elevado grau de precisão);

3 - O planisfério (mapa-múndi);

4 – Os mapas de base (contém elementos básicos e não aprofundam um tema específico);

5 – Os mapas temáticos (mapas voltados para representar um tema específico);

6 – O mapas políticos (representam as divisões político-administrativas);

7 – Os mapas físicos ou hipsométricos (representam altitudes de uma área);

8 – Os mapas históricos (representam o passado de uma determinada região);

9 – Os cartogramas (mapas ou esboços de mapas que procuram representam algum fenômeno).

Existem ainda os mapas mentais, que na realidade são esboços que representam a visão que uma pessoa tem sobre determinado lugar.

Atualmente, há um novo tipo de mapa, que é o mapa digital (aquele que pode ser visualizado no computador). Esse tipo de mapa é muito comum nos sistemas de informações geográficas (SIGs), no entanto, esse sistema não consiste apenas em uma séries de mapas, mesmo que interativos, e sim em um sistema completo de coleta e utilização prática e utilização prática dessas informações com um determinado objetivo. É, portanto, uma forte ferramenta de auxílio para os trabalhos geográficos.

domingo, 26 de agosto de 2007

Gabarito ENEM 2007

Em breve, comentaremos a nossa parte.

PROVA 1 ─ AMARELA

1C 2E 3D 4A 5E 6A 7C 8A 9B 10E 11D 12E 13A 14E 15D 16D 17C 18D 19C 20A

21C 22B 23B 24E 25D 26A 27C 28C 29C 30A 31A 32B 33B 34D 35E 36A 37D 38E 39C 40E

41B 42E 43B 44D 45B 46E 47D 48E 49A 50D 51C 52B 53C 54B 55B 56D 57A 58A 59C 60E

61D 62A 63B

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Industria e a producao do espaco geografico

Devido ao pedido do Jean, vamos tratar, em alguns textos, o processo de Industrialização.

A sociedade humana e a natureza são os elementos fundamentais para a construção e a transformação do espaço geográfico. Afinal, a natureza é a fonte original de tudo que existe e a sociedade humana transforma essa natureza, formando uma segunda natureza. Assim, por meio do trabalho, as pessoas estabelecem relações entre si (o trabalho é uma atividade social) e com a natureza. Por isso dizemos que o homem produz o espaço geográfico.

O espaço geográfico dos dias de hoje é mundial, entretanto, esse espaço se configura de maneira diferenciadas nas diferentes partes do globo. Isso se deve principalmente:

1- Tempo – com o decorrer do tempo, o espaço geográfico vai se modificando de acordo coma dinâmica da própria sociedade. Isso ocorre em todo lugar, podemos citar como exemplo a cidade de São Paulo;
2- Desigualdades sociais – As desigualdades aparecem com clareza no espaço geográfico, afinal ele retrata a sociedade, portanto, já que vivemos em uma sociedade desigual, dividida, o espaço mostra-se com áreas desiguais. Essa desigualdade se apresenta em nível local e, principalmente, em nível global.
3- Nível de desenvolvimento técnico – no decorrer de toda história, a ação humana sobre a natureza sempre foi uma característica nos mais diversos grupos sociais, no entanto, até o século XVIII essas transformações não eram tão intensas e irreversíveis, mas com a Revolução Industrial, a natureza passou a ser profundamente modificada, sendo essa Revolução um marco na mudança nas relações do homem com a natureza, o homem passou, a partir de então, a realmente construir o espaço geográfico. A Revolução Industrial, entre outros fatores, representou a mudança da técnica para a tecnologia.
A atividade industrial é a que mais profundamente modifica o espaço geográfico. Com a Revolução Industrial, a indústria moderna vem substituir o artesanato e a manufatura.
Do ponto de vista político econômico, podemos considerar três modelos de industrialização: a clássica, ou original, ou seja, aquela típica dos países desenvolvidos, iniciada no século XIX, na Inglaterra, sendo a primeira Revolução. A planificada, ou seja, aquela ocorrida já no século XX, nos países denominados socialistas. E a tardia, periférica, ou retardatária, ou seja, aquela ocorrida historicamente atrasada, principalmente no século XX, nos países subdesenvolvidos (como é o caso do Brasil). A Revolução Industrial tardia difere das outras duas revoluções por diversos motivos, entre eles podemos citar a utilização de capitais e tecnologias estrangeiras e o desenvolvimento das indústrias de bens de consumo como base da industrialização.
E, do ponto de vista da complexidade tecnológica, a Revolução Industrial pode ser dividida em três fases: a Primeira (utilização de bases técnicas simples, ocorrida até o século XIX, sendo a Inglaterra a grande potência), a Segunda (utilização de bases técnicas mais complexas, ocorrida até 1970 e, em alguns casos, perdura até os dias de hoje, sendo os Estados Unidos a grande potência) e a Terceira Revolução Industrial (também denominada de revolução técnico-científica, utiliza bases técnicas altamente sofisticadas e está se desenvolvendo neste século, tendo o Japão e os Estados Unidos como duas grandes potências).
Na primeira e na segunda fase da revolução industrial, a procura por mão-de-obra barata e desqualificada, como também de matérias-primas era imensa, no entanto essa já não é a realidade da terceira fase, que vai substituindo ao máximo essas antigas necessidades por tecnologia. Nessa nova fase, são as pesquisas científicas e tecnológicas que são valorizadas. Assim, diminui-se a importância da natureza abundante e valoriza-se a ciência e sua base que é a educação.
Por causa da importância da ciência e da tecnologia, hoje as novas regiões industriais (também chamadas de tecnopolos), aquelas de tecnologia de ponta, não se localizam mais nas áreas onde existem matérias-primas, como ocorria nas velhas regiões industriais; atualmente elas se encontram principalmente nas proximidades de importantes centros de pesquisa e de ensino universitário. Algumas vezes, há uma coincidência entre a localidade das velhas e novas regiões industriais, mas não é a matéria-prima, nem mesmo o mercado consumidor que condiciona dessas regiões, mas sim os centros de pesquisas.

Geografia e geografos

A Geografia, de maneira bem resumida é o estudo do espaço que os seres humanos habitam. É um dos saberes mais antigos que existem, uma vez que a confecção doa primeiros mapas na Antiguidade já pressupõe um estudo geográfico.
A palavra geografia (geo, ‘terra’; grafia ‘descrição’, ‘escrita’) foi criada pelo filósofo grego Erastótenes no século III a.C.
Nessa época todos os estudiosos eram filósofos e normalmente se ocupavam de quase todos os temas que hoje conhecemos por diferentes disciplinas e Erastótenes foi um desses filósofos. Ele exerceu o cargo da então famosa biblioteca de Alexandria e deu importantes contribuições para diversos saberes tais como a matemática, a geografia, a física e a astronomia.
Somente nos séculos XVII, XVIII e XIX é que as diferentes áreas do saber foram ganhando autonomia e foram se configurando da maneira pela qual conhecemos hoje.
A geografia sempre apresentou dois aspectos: um teórico (geografia geral e regional) e outro prático ou estratégico (utilidade prática para o Estado, militares, empresas e indivíduos em geral).
Todos os povos, todas as sociedades humanas habitam em um determinado espaço e, conseqüentemente são essenciais o conhecimento e apreensão desse espaço para que haja a possibilidade de intervenção a fim de alcançar o atendimento de suas necessidades.
Foi somente no século XIX que a geografia passou a ser considerada como uma ciência autônoma, com todas as suas particularidades, se separando de outras disciplinas tais como a geologia, e economia e a astronomia que se achavam integrados com ela e, a partir desse momento também ganharam suas autonomias. A geografia passa então a se ocupar especificamente do espaço geográfico, ou seja, a superfície terrestre, que é o lugar onde a humanidade vive e no qual produz modificações.
Dentre diversos motivos, o advento das ciências modernas no século XIX se deve a um novo modelo de ciência que vinha sendo elaborado desde o século XVII e XVIII com Galileu Galilei (abandono das crenças tidas como verdade e investigação do Universo através do uso da lógica) e Isaac Newton (grande sistematizador de conhecimentos físicos e astronômicos, realizando uma sobre o Universo e suas leis).
Cientistas pioneiros como Galilei, Newton, Copérnico e da Vinci, consolidaram o pensamento racional nas ciências em detrimento dos conhecimentos místicos. Deste modo, para compreender quaisquer processos que ocorrem no Universo, é preciso se utilizar de conhecimento científico e não mais apelar para as crenças e superstições, tal como se fazia até o século XVIII. Deixa-se, então, de lado os saberes especulativos para utilizar o saber científico.
Dois estudiosos germânicos do século XIX são considerados os criadores da geografia moderna ou científica: Alexander von Humboldt (importantes trabalhos em geografia física) e Karl Ritter (importantes trabalhos em geografia humana).
Podemos ainda relacionar o advento da geografia moderna com seu momento histórico, uma vez que no século XIX a humanidade já tinha unificado todo o espaço planetário, processo que já havia começado desde o século XV, com a expansão marítimo-comercial européia e foi progredindo no decorrer dos séculos. Não foi por acaso que os trabalhos de Humboldt e Ritter surgiram desse período. A construção da geografia moderna só pôde ocorrer num momento em que praticamente toda a superfície terrestre havia sido conhecida, estudada e mapeada.
Há uma antiga questão sobre a existência ou não de “várias geografias”. Desde a Grécia Antiga já havia uma divisão entre a geografia geral (visão do todo) e a geografia regional (visão do particular). Além disso ainda existia a cartografia como sendo parte da geografia, o que não ocorre atualmente, sendo a cartografia uma disciplina independente, apesar de o uso de mapas ser largamente utilizado na geografia, configurando a geocartografia como sendo parte da própria ciência geográfica .
Mais recentemente, no século XIV, surge uma nova divisão da geografia em geografia física (estudo das paisagens naturais na superfície terrestre) e humana (estudo dos grupos humanos na sua dimensão espacial), com suas respectivas subdivisões, as quais estão em constantes modificações.
No entanto, apesar de todas as subdivisões, existe uma unidade da geografia: é o estudo do espaço geográfico na inter-relação entre a humanidade e seu meio ambiente.
Qual o campo de atuação dos geógrafos nos dias de hoje? Sua atuação está normalmente ligada a questões de planejamento e meio ambiente, além da formulação de mapas geográficos.
Recentemente, os geógrafos ganharam um novo campo de atuação: a apreensão e utilização de dados geográficos através dos SIGs (Sistemas de Informações Geográficas). Os SIG são tecnologias de processamento de informações geográficas, normalmente sob a forma de softwares, que sistematizam dados geográficos sobre inúmeros fenômenos de uma área ou região.
Outra importante área de atuação do geógrafo é o ensino. Embora a geografia seja uma disciplina escolar ensinada desde a Antiguidade, somente no século XIX que a geografia escolar passa a ser difundida, pois foi nesse período que ocorreu uma significativa expansão dos sistemas nacionais de ensino, que foi se tornando imprescindível para o desenvolvimento de um país.
A educação sempre foi importante para as sociedades humanas, pois é através dela que o homem pode interagir com a sociedade em que vive, no entanto, com a revolução técnico-científica, a importância do ensino torna-se maior do que em qualquer outra época.
Uma nova lógica é estabelecida, onde os empregos que anteriormente eram executados por pessoas com pouca escolaridade são substituídos por máquinas, computadores ou robôs. Os empregos que não sofreram substituição exigem elevados níveis de escolaridade. Toda essa mudança é resultado da revolução técnico-científica que produz profundas mudanças no mercado de trabalho e também uma nova forma de produção: a produção flexível, que se contrapõe com o antigo modelo de produção, o fordismo. Neste, impera a produção em massa, com pouca preocupação com a qualidade, com uma mão-de-obra “técnica”, com baixo de nível de escolaridade. Ao contrário do fordismo, a produção flexível procura, acima de tudo, a excelência, não importando mais a produção em massa, mas sim a manutenção da qualidade com um desperdício praticamente zero. A mão-de-obra desse novo modelo precisa ser qualificada, uma vez que os empregos meramente mecânicos foram substituídos (desemprego estrutural).
Em uma nova realidade, o mercado de trabalho se altera substancialmente, causando graves crises. Nesse contexto, muitos novos empregos vão sendo criados em detrimento de vários outros que vão ficando obsoletos e deixam de existir. Para se inserir nessa nova lógica de mercado atributos como competência e instrução são imprescindíveis.
O ensino também vem se modificando com a revolução técnico-científica. Nos países centrais, os jovens ingressam no mercado de trabalho cada vez mais tarde, mas com um excelente nível de qualificação. Nos países periféricos, o processo ocorre de maneira inversa, com jovens despreparados ingressando cada vez mais cedo no mercado de trabalho. Com essa realidade, os países periféricos têm pouca chance de alcançar a centralidade no capitalismo.
Existe uma íntima relação entre os níveis de escolaridade de uma população e seu desenvolvimento econômico e social. Assim, podemos perceber que são os países que alcançaram maior desenvolvimento, aqueles que mais valorizaram a educação.
Mas o objetivo da escola não é preparar o jovem para um emprego, uma vez que isso se torna praticamente impossível, face as constantes mudanças que ocorrem no mercado. O objetivo hoje é que o jovem atenda a flexibilidade do mercado, adquirindo a capacidade de adaptação.
O ensino da geografia, a partir da 1980, juntamente com o de outras disciplinas foram se modernizando com o objetivo de atender as novas necessidades oriundas da revolução técnico-científica, principalmente nos países desenvolvidos.
O ensino da geografia, na realidade, passa a ser ainda mais importante com a globalização. Com a intensa integração mundial, é necessário, mais do que nunca, conhecer o mundo em que vivemos, ou seja, conhecer a geografia. Essa é uma condição necessária todo aquele, seja instituição ou indivíduo, que pretende se inserir e obter sucesso dentro dessa nova lógica globalizada.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Informacao pioneira.

Enfim, o nosso blog! Esperamos trabalhar uma serie de itens pertinentes a preparação dos alunos para os seus desafios. Informo, desde já, que o pc e importado (paraguaio), portanto, não tem cedilha, nem acento. Não adianta nem contar para Equipe de Professores de Lingua Portuguesa que o blog tem problemas gramaticais. Como o word esta em português, alguns erros serão consertados na correcao ortográfica. Quanto aos outros, fica feliz. Ou me da um pc, sem problemas.

Por dentro do capitalismo

O capitalismo, ao longo do processo histórico, apresentou três estágios, que seriam o capitalismo comercial, industrial e financeiro.
O capitalismo comercial estruturava-se na circulação de mercadorias. Entre os Séculos XVI e XVIII, a divisão internacional do trabalho apresentava-se polarizada pelas potências comerciais européias, e a periferia preenchida pela Ásia, África e América, formando uma rede de fluxos mundial.
O capitalismo industrial estruturava-se na produção de mercadorias. No Século XIX, a Inglaterra (nação pioneira neste processo) e a Europa Ocidental foram abarcadas pelo processo de Industrialização e uma nova divisão internacional do trabalho foi gerada.
O capitalismo financeiro estrutura-se nos mercados de capitais. No Século XX, a união entre o capital bancário e a indústria, particularmente após a 2ª Guerra Mundial, levou a formação de uma nova divisão internacional do trabalho.
Magnoli (2002), apoiado em Arrighi (1996), defende o conceito de ciclos sistêmicos, como se pode observar na passagem:
“Os quatro ciclos arrighianos são denominados a partir dos componentes centrais do sistema: Gênova, Holanda, Grã-Bretanha e EUA. O ciclo genovês estende-se entre o Século XV e o início do Século XVII; o ciclo holandês, entre o fim do Século XVI e o Século XVIII; o ciclo britânico, entre o fim do Século XVIII e o início do Século XX; o ciclo americano, desde o final do Século XIX” (p. 57).
Neste trabalho, o escopo nos restringe a análise do denominado ciclo americano. O grande evento que possibilitou a consolidação do ciclo americano trata-se da Conferência de Bretton Woods. A transição do padrão ouro para o padrão dólar foi um evento relevante na formação efetiva da hegemon dos EUA. De acordo com Magnoli (2002):
“Entre 1850 e 1914, o fluxo de capitais britânicos para os Estados Unidos – em investimentos e empréstimos – somou 3 bilhões de dólares. Neste período, os EUA remeteram à Grã-Bretanha, como pagamento de juros e dividendos, cerca de 5 bilhões de dólares. Contudo, durante a Primeira Guerra Mundial, a demanda britânica por armamentos, matérias-primas e bens-de-capital foi suprida, parcialmente, pelos Estados Unidos. Como resultado, no final do conflito, a república americana tinha se tornado credora da Grã-Bretanha. Além disso, durante a guerra, os investimentos americanos tinham tomado o lugar dos britânicos na América Latina e em parte da Ásia” (p. 60).
O período de 1901-1950, de acordo com Hobsbawn, conhecido como “Era da Catástrofe” foi ajustado a partir da Conferência de Bretton Woods. De acordo com Mattos (1998):
“As negociações de Bretton Woods representam o triunfo de coordenação e planejamento sobre os ideais do Laissez faire, que tinham sido hegemônicos até o período da Grande Depressão do entre-guerras” (p. 45).
Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA detinham 70% das reservas internacionais de ouro, o que legitimou as decisões tomadas em Bretton Woods.
A Conferência de Bretton Woods (1944) determinou que o dólar a partir de então se tornava a moeda-referência para as reservas financeiras dos países e nas trocas comerciais. Destaca-se que até a URSS utilizou o dólar como moeda de reserva das suas riquezas.
A Conferência consolidou a Hegemon dos Estados Unidos, dentro da perspectiva da Teoria da Estabilidade Hegemônica do Capitalismo. A Hegemon apresentava-se relacionada aos aspectos industrial, militar e financeiro.
Bretton Woods teve o representante da Inglaterra (Sir. Keynes) e o representante dos EUA (Dexter White) formulando hipóteses para a continuidade e crescimento das políticas econômicas internacionais. De acordo com Mattos (1998):
“O principal ponto a unir a concepções de Keynes e White era, fundamentalmente o reconhecimento da falência de forças de livre mercado em sustentar o crescimento econômico e, portanto, a necessidade de criação de uma nova ordem financeira internacional que pudesse disciplinar os movimentos de capitais, a paridade entre moedas e os fluxos internacionais de bens (e serviços). Os mecanismos criados deveriam evitar os dois principais efeitos disruptivos da ordem econômica mundial vigente no entre-guerras, a saber, a extrema mobilidade de capitais entre países e a adoção de recorrentes desvalorizações cambiais competitivas entre os países, como recurso desesperado de defesa contra a depressão econômica que se abatera sobre a maioria deles nas décadas de 20 e 30” (p. 46).
No entanto, os economistas divergiam em alguns aspectos. White propôs a criação de um Fundo de Estabilização, que deveria oferecer recursos para os países, garantindo a reconstrução. Keynes defendeu a criação do Clearing Union, um Banco Central internacional, que seria o responsável pela emissão de moedas que serviriam como referência internacional. O economista inglês tinha temor que a deflação dos anos 20 e 30 voltasse a atuar. Destaca-se também que Keynes buscava desconcentrar a hegemonia dos EUA.
Mattos (1998) analisando a função das organizações supranacionais sinaliza que: “o problema do FMI não é o seu poder excessivo, mas sua deplorável submissão ao poder e aos interesses dos EUA” (p. 48).
As principais conseqüências de Bretton Woods foram a utilização do padrão dólar (US$ 35 por onça de ouro), a paridade fixa entre moedas (- 10% < X < 10%), atingindo este patamar máximo, para mais ou para menos, apenas com o consentimento do FMI.
Bretton Woods oficializa o duplo papel do dólar no cenário internacional, a atuação como reserva monetária e a função de moeda de crédito.
Outro mecanismo do pós-guerra foi o Plano Marshal (1948-52). De acordo com Mattos (1998):
“A construção promovida pelos recursos transferidos pelo Plano Marshall baseou-se fundamentalmente na recuperação dos mercados internos dos países, embora tenha sido bastante considerável a expansão do comércio internacional neste período” (p. 51).
Após a 2ª Guerra Mundial, nota-se a atuação das organizações supra-nacionais recém-criadas. Estas possuíam o papel de promover o crescimento econômico. E conseguiram atingir tal êxito.
O período de 1949-1973 ficou conhecido como os “anos dourados” do capitalismo, um período de exceção da História do Capitalismo, pois se visualizou todos os benefícios que este modelo pode apresentar em detrimento da suavização de seus problemas estruturais.
O ciclo virtuoso dos anos dourados se estruturou a partir da sinergia entre os aumentos de produtividade, dos salários reais e da geração de empregos. Mattos (1998) define os anos dourados como:
“a associação de fatores técnico-produtivos (oligopolização dos mercados, ganhos de escala, investimentos frente à demanda, preços rígidos à baixa, rentabilidade e produtividade crescente nos setores líderes, vendas em ascensão) com fatores políticos (salários reais crescentes, definidos no âmbito das negociações coletivas entre capital e trabalho), fatores sociais (Estado transferindo renda para os excluídos do mercado de trabalho organizado e investido na área social) e institucionais (moeda-crédito internacional estável e abundante) gerou um ciclo virtuoso de crescimento durante mais de vinte anos, com maior intensidade ainda nos países que estavam fazendo o ‘cathing up’” (p. 54).
No final dos anos 60, as medidas de Bretton Woods perdiam valor paulatinamente. Este período de agitação recebeu o nome de “Dilema de Triffin”, que de acordo com Mattos (1998):
“A expansão da liquidez internacional estaria limitada pela perda de confiança dos agentes econômicos na conversibilidade do dólar em ouro, dada a crescente desproporção entre as reservas em dólar dos paises e os estoques americanos em ouro” (p. 57).
As duas décadas após Bretton Woods foram marcadas pelo destacado desenvolvimento industrial e a formação de uma sociedade de consumo de massa nos países europeus e no Japão.
Em agosto de 1971, o presidente dos EUA Richard Nixon finaliza a conversibilidade do dólar em ouro. Destarte, o dólar desaparece do cenário econômico como agente do sistema monetário internacional. E esta medida de Nixon demonstrou o poder do dólar, pois este se manteve como moeda-referência internacional.
A concorrência com a produção japonesa e alemã vem apresentando entraves na economia dos EUA. Para Mattos (1998):
“O déficit da balança comercial dos EUA é uma demonstração de desgaste da economia americana e mais um impulsionador da perda de credibilidade da moeda americana como referência de valor das reservas de diversos países” (p. 59).
O desmantelamento do modelo fordista mina a continuidade dos anos dourados. Mattos (1998) diz que:
“Muitos acordos coletivos deixaram de ser renovados e os salários, diante da nova realidade, deixaram de ser vistos como fonte de demanda global e passaram a ser encarado como custo pelas empresas. Esta reversão da expectativa e as mudanças de mentalidade, geradas pela nova conjuntura, representaram a falência da perspectiva ‘keynesiana’ que predominou durante os ‘anos dourados’” (p. 60).
Há a importância em diferenciar os capitalistas dos Estados Nacionais. De acordo com Harvey (2005):
“Em primeiro lugar, as motivações e os interesses dos respectivos agentes divergem. O capitalista que dispõe de capital financeiro deseja aplicá-lo onde quer que possa haver lucro, e tipicamente busca acumular mais capital. Os políticos e homens de Estado buscam tipicamente resultados que mantenham o aumentem o poder de seus próprios Estados diante de outros Estados. O capitalista procura vantagens individuais (embora de modo geral sujeito a restrições legais) só é responsável perante seu círculo social imediato, ao passo em que o homem de Estado procura vantagens coletivas, vendo-se restringido pela situação política e militar de seu Estado, sendo em algum sentido responsável perante uma comunidade de cidadãos ou, o que é mais freqüente, perante um grupo da elite, uma classe, uma estrutura de parentesco ou algum outro grupo social. O capitalista opera no espaço e tempo contínuos, enquanto o político opera num espaço territorializado e, ao menos nas Democracias, no âmbito de uma temporalidade ditada por um ciclo eleitoral. Por outro lado, as empresas capitalistas vêm e vão, mudam de localização, se fundem entre si ou encerram as operações, mas os Estados são entidades de vida longa, não podem migrar e, exceto em circunstâncias excepcionais de conquista geográfica, estão confinados a fronteiras territoriais fixas” (p. 32).
No entanto, os capitalistas devem acompanhar as decisões tomadas pelos Estados. A estrutura monetária e fiscal, dentre outras medidas que caracterizam o poder do Estado, formam o cenário de acumulação de capital.
Arrighi (1996) apud Harvey (2005) diferencia também o conceitos de liderança e supremacia, sendo:
“A supremacia de um grupo ou, no caso, de uma nação-Estado pode... manifestar-se de duas maneiras: como ‘dominação’ e como ‘liderança moral e intelectual’. Um grupo social domina grupos antagônicos, que ele tende a ‘liquidar’ ou a subjugar, talvez mesmo pela força armada; ele lidera grupos afins ou aliados (...) um Estado dominante se torna o ‘modelo’ a ser emulado por outros Estados e os atrai assim para o seu próprio curso de desenvolvimento... Isso pode aumentar o prestígio, e por conseguinte, o poder do Estado dominante..., mas na medida em que obtém algum grau de sucesso, essa emulação tende a contrabalançar e, portanto, antes a reduzir do que a aumentar o poder do hegemon, ao trazer à existência competidores do hegemon e reduzir o que há nele de ‘especial’ (...) o fato de um Estado dominante conduzir o sistema de Estados numa direção desejada e, ao fazê-lo, ser majoritariamente percebido como voltado para a promoção de um interesse geral. A liderança nesse sentido aumenta o poder do Estado dominante” (p. 39).
Nos últimos 50 anos, os EUA têm atuado, principalmente, a partir de medidas coercitivas tanto interna quanto externamente, no que diz respeito as suas estratégias de dominação. Pode-se destacar o macartismo e mais recentemente, a aprovação da “Lei Patriota”, na escala nacional. Na escala global, o apoio a golpes militares, e mais recentemente, a política de ataque preventivo, em alta no governo Bush, tem atuado em países com regimes vistos como de exceção, como o sistema de Saddam Hussein no Iraque.
Immanuel Wallerstein no seu artigo: “Mundialização ou a Era de Transição? Uma visão de longo prazo da trajetória do sistema-mundo”, explica as fases A (1945-1973) e B (1973 até os dias de Hoje) do ciclo do Kondratieff. Wallerstein analisa a fase A do ciclo do Kondratieff como sendo correspondente ao que os autores da escola francesa denominam de “os 30 anos gloriosos”, igualando com a fase de apogeu e hegemonia mundial dos Estados Unidos após o firmamento da nova ordem mundial pós-1945, que ocasionou da boa situação dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial (1939-45), pois este país foi a única potência industrial que terminou a guerra de maneira praticamente intacta, ao analisar potencial e território.
Os Estados Unidos, através da formação de instituições e acordos internacionais, resolveram um de seus principais problemas para a consolidação de sua hegemonia: a concretização da ordem mundial estável.
Outra dificuldade a ser solucionada diz respeito à formação de uma demanda que assegurasse o escoamento da crescente produção dos Estados Unidos. A deliberação para esta dificuldade foi conquistada com o plano Marshall (1947) para a Europa Ocidental, assim como uma ajuda equivalente para o Japão (Plano Colombo) após a Guerra da Coréia (1950-53). No bojo da Guerra Fria (1945-91), os Estados Unidos se aproveitam para aproximar seus vínculos econômicos a partir de alianças militares.
Mesmo com o expressivo número de países que, de nenhuma forma, foram beneficiados com as políticas estadunidenses, como os países de Terceiro Mundo (que se reúnem na Conferência de Bandung – 1955), os Estados Unidos, de maneira geral, não tiveram grandes entraves para a concretização de sua hegemonia nessa fase A.
Na fase B, Wallerstein começa sinalizando um relevante evento que foi o aumento do preço do petróleo pela Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep, criada em 1960), onde os principais países exportadores de petróleo formaram um cartel, aumentando, de forma abrupta, o preço do petróleo. Este evento poderia ser analisado como de grande efeito para que países do Terceiro Mundo pudessem fazer frente aos países desenvolvidos, entretanto, considerando que tal ação só ocorreu após a aprovação de dois grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio: Arábia Saudita e Irã. Pode-se analisar este evento como positivo para os países desenvolvidos.
Após o aumento do preço do barril de petróleo, tem-se como efeito cascata que a elevação dos preços de quase todos os produtos, e ainda, resultou na diminuição da produção, se destacando como um fato positivo para o entrave causado pela superprodução. Os países que necessitavam exportar matéria-prima para a conquista de renda enfrentaram severos obstáculos econômicos, sobrecarregados pelo encarecimento das importações. O elevado preço do barril do petróleo favoreceu os países produtores, e também os conglomerados petrolíferos. A partir do superávit de capital, os países produtores de petróleo ampliaram suas despesas, principalmente com a importação de produtos vindos dos países desenvolvidos. E ainda, parte deste capital foi depositado em bancos, com destaque para os estadunidenses e alemães, que passaram a dispor de capital excedente, oprimindo os países que estavam sofrendo com a crise para que estes contraíssem capital em elevadas cifras, com juros.
Com isso, o Japão e a Europa começam a se destacar globalmente, diminuindo a hegemonia dos Estados Unidos, que procurou, através de uma série de medidas manter sua hegemonia em patamares sublimes, porém, não conseguiu grande eficácia.
Nos anos 80, se estabelece um estágio de modificações no cenário global. Destacam-se quatro fatores principais. Em primeiro lugar, o desponte da crise da dívida externa em países de diversas partes do planeta. Em segundo lugar, a rápida ascensão do Japão, dos tigres asiáticos, do sudeste asiático e da China continental. Em terceiro lugar, a política estadunidense do “keynesianismo militar” que finalizou com a recessão nos Estados Unidos devido a grandes empréstimos tomados, principalmente do Japão. Em quarto lugar, o estouro de empréstimos contraídos por grandes empresas com o intuito de conquistar os lucros do capital especulativo de curto prazo em oposição aos investimentos produtivos. Sem se referir ao extremo oriente, a economia global enfrentava um colapso.
Sob esta perspectiva, e mesmo com diversas medidas, a União Soviética (que surge em 1922) chegou ao fim (em 1991). O “boom” do endividamento mundial acarretou em uma crise, nos anos 90 no mercado imobiliário japonês, diminuindo em larga escala o valor dos títulos.
Com a queda da União soviética (1991), os Estados Unidos perpassam um grande infortúnio com a invasão do Kwait (1991) pelo Iraque. Os Estados Unidos que enfrentavam problemas (tanto financeiro, como militar) passam pelo crivo da sociedade civil organizada após a sua intervenção.
A partir da criação do euro (2000), a Europa demonstra que caminha no sentido da sua unificação e para desarranjar os laços que a deixavam bem próxima aos Estados Unidos.
No bojo destes eventos ocorre a chamada crise asiática, que foi agravada com a desastrosa atuação do FMI (criado em 1944), desencadeando na propagação da deflação no Extremo Oriente e na zona de influência, seguido pela Rússia e pelo Brasil. Concluindo, portanto a análise da fase B dos ciclos de Kondratieff por Wallerstein.
A globalização financeira limita as decisões de política econômica imbuídas na escala nacional para que ocorra a geração de empregos e a segurança no trabalho.
A globalização financeira começa a se desenvolver no espaço deixado pela crise da sociedade industrial. Para Mattos (1998):
“a forma D-D’ adquire peso cada vez mais importante, suplantando a importância clássica da forma D-M-D’ (Marx, 1968), pela qual a valorização do capital implicava o emprego de equipamentos e bens de capital e, portanto, o emprego de mão-de-obra para a extração da mais valia” (p. 64).
A globalização financeira acarreta na perda de arrecadação pelos Estados, diminuindo o seu poder de atuação. Neste sentido, as políticas de geração de empregos se deslocam das atribuições do Estado para a participação do capital privado, que muitas vezes opta pela realização de investimentos financeiros.
Pode-se analisar o neoliberalismo como ausência de projeto para a construção de uma nova ordem mundial. Para Vizentini (1992):
“O próprio neoliberalismo levanta hoje dúvidas, pois para um número crescente de estudiosos apresenta-se muito mais como a falta de um projeto novo. Historicamente, a ‘volta as raízes’ foi sempre uma decorrência da ausência de perspectivas para o futuro. Em nenhuma outra época deste século os dirigentes conservadores atuaram tão intensamente através de políticas de curto prazo como agora, ainda que camuflando as táticas conjunturais como estratégias de longo alcance” (p. 224).
Uma das estratégias realizadas tem sido a reunião (e não ampliação) dos mercados, na tentativa de compensar a diminuição do consumo em cada país. A formação de megablocos econômicos sinaliza para tal assertiva.
A situação econômica dos Estados Unidos apresenta-se entrelaçada com as indústrias do setor bélico. Neste sentido, Vizentini (1992) diz que:
“Ao desaparecer o inimigo externo (o socialismo), os antagonismos sociais oriundos das profundas e crescentes desigualdades, e que antes eram abafadas pelas tensões internacionais, reaparecem e são reinteriorizados com características fortemente irracionais. É o fim do consenso doméstico. A solução que se esboça é manter vivos os mecanismos de repressão interna típicos da Guerra Fria, redirecionando simultaneamente a ação exterior contra novos inimigos ‘reais ou forjados’” (p. 228).
Com a derrocada da hegemon dos EUA, um grupo de países começa a se destacar de forma incisiva. Para Magnoli (2002):
“As potências econômicas passaram a coordenar suas políticas de câmbio por meio de reuniões anuais do Grupo dos 5 – Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Grã-Betanha – que, depois, agregou a Itália e o Canadá, tornando-se o atual G-7. Esta coordenação da política cambial jamais evitou instabilidades e oscilações mas, no conjunto, o governo das maiores economias revelaram-se capazes de evitar o precipício de guerras comerciais e retaliações protecionistas” (p. 56).
Para finalizar, conclui-se que na atual (des) ordem econômica mundial inexistem mecanismos que possibilitem o crescimento econômico sustentado, a melhoria na distribuição de renda e o desenvolvimento dos indicadores sociais. Além disso, a hegemonia do sistema capitalista está em aberto, sendo alvo de disputa pelas principais potências do planeta.


Referências Bibliográficas

HARVEY, D. O Novo Imperialismo. Rio de Janeiro, 2005. pp.: 31-76.
MAGNOLI, D. Relações Internacionais: Teoria e História. São Paulo: Editora Saraiva, 2002. pp.: 50-63.
MATTOS, F. A. Retrospectiva Histórica do processo de Globalização Financeira. São Paulo: Cultura Vozes, jan/fev. 1998. pp.: 43-70.
RAMONET, I. O Pensamento Único e os Regimes Globalitários. In: FIORI, J. L. (et alli). Globalização: o fato e o mito. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998. pp.: 54-75.
VIZENTINI, P. G. F., RIBEIRO, L. D. T. A transição para uma Nova Ordem Internacional. pp.: 223-237.