domingo, 24 de fevereiro de 2013

Tema da Redação ENEM 2012

Queridos alunos,

Segue um texto, elaborado com a colaboração do graduando em Geografia Kairo Santos, sobre os movimentos migratórios para o Brasil no início do Século XXI. Boa leitura.


O tema da redação do ENEM 2012 foi de cunho bastante geográfico. Falar sobre o movimento imigratório para o Brasil neste século é analisar a conjuntura em que o país e seus vizinhos estão inseridos atualmente.
A abordagem do tema nos permite seguir por alguns caminhos. Destacamos duas linhas. A primeira refere-se à imigração de mão de obra qualificada. Esta tem sido muito incentivada pelo governo brasileiro na última década, face aos déficits de mão de obra formada que o país tem, aliado a disponibilidade de trabalhadores no mercado mundial. Ela se torna oriunda principalmente de países europeus (Portugal e Espanha) e dos Estados Unidos. A segunda linha refere-se à mão de obra pouco ou não qualificada, como é o caso de muitos latino-americanos que migram para o território em busca de melhores condições de vida, e de africanos, sobretudo da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa).
Em ambos os casos, o principal fator em comum que atrai essas pessoas para o Brasil é sem dúvida a disponibilidade de uma vaga no mercado de trabalho (através de empregos formais ou informais). Esta busca por melhores condições de vida em um país como o Brasil surge, principalmente, após a crise iniciada em 2008, que atingiu os Estados Unidos e o cenário global.
A crise mundial do capitalismo por mais amena que esteja ainda reflete suas consequências nos países europeus e latino-americanos. As taxas de desemprego em países como os pertencentes ao acrônimo PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), ultrapassam os 15%[1] e parte da população teve sua renda familiar comprometida. Dívidas acumuladas, hipotecas, o caos financeiro: esse é o panorama da crise. O caminho para muitos foi emigrar. Nos países mais pobres, como o Haiti, além da crise e dos conflitos internos que o país enfrenta, a catástrofe natural de 2010 foi um fator agravante da péssima condição da maioria da população.
Seguindo a primeira linha era possível falar da imigração europeia para o Brasil, com o incentivo do governo brasileiro a atração de mão de obra de Portugal, Espanha e outros países europeus para o mercado de trabalho brasileiro[2]. Mas também não se deve negligenciar o retorno de muitos brasileiros que tinham emprego nestes países. Pode-se dizer que existe um grande movimento de migração de retorno em escala mundial dos brasileiros que um dia deixaram o país em busca de melhores condições e, após a crise, viram na terra natal uma oportunidade de melhores condições e retorno ao lar. Como no fragmento abaixo, tirado do blog Estadão: “A pior crise econômica dos últimos 70 anos poupou o Brasil. Mas, para milhares de brasileiros no exterior, a recessão os transformou em algumas das vítimas mais afetadas. Em quase todos os países atingidos, os imigrantes foram os primeiros a ser demitidos. Hoje, três anos depois da eclosão da crise, um número cada vez maior de brasileiros que vivia na Europa e no Japão tomam o caminho de volta para casa, em busca de uma melhor situação em sua própria terra.”[3]
Caso a escolha do tema seguisse a segunda linha de raciocínio, o candidato poderia abordar temas como a imigração de haitianos ou de bolivianos, argentinos, chilenos, angolanos, entre outros, que buscam melhores condições de vida no Brasil. Na maioria dos casos, estes imigrantes possuem pouca ou nenhuma qualificação e vão trabalhar no setor terciário, construção civil ou na informalidade. Um fato a ser considerado é que grande parte ou quase a totalidade desses imigrantes, entram no país de forma ilegal. Poucos conseguem o visto de trabalho e legalizam sua estadia, e a maioria continua a trabalhar na economia subterrânea. A posição de ilegal pode trazer risco a essas pessoas, sendo um deles a exploração no trabalho. Este é o caso de muitos bolivianos que entram no país. Como aborta o texto da Universidade Metodista de São Paulo: “‘Morrer antes que viver como escravos’. Este é o lema da Bolívia, cantado no refrão do Hino Nacional do País. No entanto, é como ‘quase’ escravos que cerca de 50 mil bolivianos trabalham em fábricas de roupas em São Paulo”[4].
Outro exemplo desse tipo de imigração é o caso dos haitianos. No inicio, muitos se instalaram pelo norte do país, principalmente no estado do Amazonas. Agora, eles já chegam a São Paulo. Como dito anteriormente, a motivação da imigração desse povo é fruto de um fator econômico e natural. O governo brasileiro tenta conceder visto a estes, porém o número de imigrantes cresce sem parar. O que piora a situação é que assim como ocorre na imigração para os Estados Unidos, os “coiotes” (como são conhecidos os responsáveis por facilitar a entrada dos imigrantes de forma ilegal) atuam explorando e cobrando altos valores para realizar a entrada deles no país. Outros problemas como fome, roubo e risco de vida estão inerentes a travessia ilegal[5].


[1] http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=591535&tm=6&layout=121&visual=49
[2] http://www.computerworld.com.pt/2012/08/24/brasil-incentiva-imigracao-de-profissionais-qualificados/

[3]  http://blogs.estadao.com.br/jt-seu-bolso/crise-forca-a-volta-de-brasileiros/
[4] http://www.metodista.br/cidadania/numero-26/imigrantes-bolivianos-vivem-como-escravos-em-sao-paulo
[5] http://oglobo.globo.com/pais/haitianos-descobrem-que-sonho-de-vida-melhor-pode-virar-pesadelo-3593774

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